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Marcos anda de um lado para o outro, esfregando as mãos e sacudindo a cabeça, muito nervoso.
__Tudo bem… Você quer saber a verdade? Vou te dizer a verdade, Amélia.
__Eu sei que tem alguma coisa escondida nessa estória, pai. E sei que você tá envolvido nisso.
__Eu trabalhei no Tropicali. Durante uns anos… O Inácio Toledo é o dono do hotel. Ele ia de vez em quando e às vezes a gente se esbarrava nos corredores, nos jardins… Mas era só isso, não tinha nem “bom dia” prá dizer… Ele não falava com nenhum empregado.
__Porque nunca contou isso, pai? Sabe que eu tô fazendo uma matéria sobre o Tropicali e não me passou essa informação! Pai, essa matéria é importante prá mim. Toda informação que puder me passar vai ajudar bastante.
Marcos encolhe os ombros e se aproxima de Amélia.
__Isso pode ser perigoso, minha filha. Não quero que se machuque, Amélia!…- abraça a filha e beija seu rosto- A gente se preocupa com você, filha. Não queremos te perder.
__Mas é o meu trabalho, pai. E fica tranquilo, eu não tô em perigo.- ela mente, claro- Vocês não vão me perder, viu? Tira essa bobagem da cabeça, seu Marcos!
__O teu irmão já tá perdido… Por isso a nossa preocupação.
__Sem comparação, pai. O Eduardo é outra estória, outro problema.- ela beija o pai- Tem mais alguma coisa prá contar?
__Não…Não tenho mais nada. Eu trabalhei no Topicali, mas só fazia o meu trabalho, não ficava tomando conta do que acontecia no hotel como os outros empregados. Fazia o meu serviço e pronto.
__Tá bom, pai. Valeu assim mesmo.
__O que vai fazer agora?
__Bem, vou tentar montar esse quebra-cabeças.
__Como assim?
__Isso é segredo de profissão, seu Marcos!
Que o Inácio era dono do Tropicali ela já sabia. Mas que seu pai trabalhou no hotel, isso é novidade! Aliás, ela sabe pouco sobre o passado dos pais. Não é engraçado isso?… Ela que sabe tudo da vida de todo mundo, não conhece nada da vida dos próprios pais! É como diz o ditado: “em casa de ferreiro o espeto é de pau”!
A verdade é que Amélia nunca se interessou pelo passado dos pais. Sabe apenas o básico e até agora achava suficiente… Marcos e Laura sempre trabalharam duro, desde jovens, quando eram noivos ainda. O dinheiro nunca veio fácil e eles batalharam por cada centavo para sustentar seus filhos… Amélia se orgulha das lutas de seus pais. A honestidade e o caráter de Marcos e Laura sempre foi motivo de muito orgulho para ela. Não são famosos, não são ricos, não têm sangue azul, mas são as melhores pessoas que ela conhece. É uma honra ser filha deles!
Mas essa estória de Marcos ter trabalhado no Tropicali deixou-a com a pulga trás da orelha. De repente, ela lembra do álbum de fotos da família. Tem algumas fotos de Marcos e Laura jovens e ainda solteiros… Será que…? Será que tem alguma foto do Tropicali? Corre para o quartinho de costura da mãe e revira o pequeno baú de madeira. Muitas fotos da família. Amélia está cismada. Coisa de jornalista, coisa de intuição de mulher. Mas ela só encontra uma foto amarelada da fachada do Tropicali…
__Droga! Mas eu sei que tem mais coisa por trás disso!… E eu vou descobrir o que é!
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