Capítulo 64

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Amélia sente como se tivesse levado um soco no estômago. Afinal, que absurdo é esse que seu pai está dizendo?…

__Como é? Você assumiu a culpa…? Como assim?

__Eu assumi o roubo das jóias. Fui preso, Amélia. Passei anos na cadeia por isso… Por um crime que não cometi.- a voz dele sai baixa e tremida, seus olhos estão marejados…- Eu sei que errei. Errei em assumir a culpa, errei no dia em que me juntei com aquela corja… Errei em me apaixonar por aquela mulher.

__Cléo?

__Sim, isso mesmo. Fui um idiota, um babaca! Aquela mulher desgraçou a minha vida!- as lágrimas caem enquanto ele fala num tom amargurado e sentido- Destruiu a minha vida… Por causa dela, passei anos preso. Assumi o crime dela, por amor. Ou pelo que eu pensava ser amor.

Amélia olha para a mãe.

__Você sabia disso?

__Sabia. Foram anos de muito sofrimento, filha… Eu fiquei desesperada…! Via meu noivo nas garras daquela vadia e não podia fazer nada…! Ele tava enfeitiçado por ela! Aliás, os três estavam enfeitiçados por ela. Mas foi o Marcos quem levou a pior.

__Mas… Porque ela resolveu roubar o hotel?

Marcos e Laura se olham.

__Isso já é uma outra estória, filha.- diz Marcos.

__A Cléo tá morta, felizmente. Fez tanta maldade em tão pouco tempo de vida!…

__Porque ela roubou o hotel?- Amélia insiste na pergunta como forma de não pensar nas revelações que o pai acabou de fazer…

__Isso não é assunto meu, Amélia.- fala Marcos- Mas você queria saber sobre o roubo, se eu tinha alguma coisa a ver… Pois então- ele enxuga os olhos- Eu paguei pelo crime da Cléo. Na verdade, o Giulio fez quase tudo… Orientado pela Cléo, ele fez quase tudo sozinho… Robert e Simone também ajudaram… Eles facilitaram o acesso ao cofre do hotel.

__E quanto a Inácio Toledo? Que relação vocês tinham com ele?

__Eu nenhuma! Mas a Cléo… Pergunta isso pro italiano.

__Pai, porque nunca me falou sobre isso? Porque nunca contou sobre o teu passado, sobre a prisão?...

__Prá quê? Prá você me odiar, me acusar, me desprezar?… Não, eu queria esquecer aquilo, queria apagar aquela mancha da minha vida…! Depois, com esse teu jeito, certamente ia ficar curiosa e querer investigar e tal… Que ironia, meu Deus! Escondi tanto!… E agora, você faz uma matéria exatamente sobre isso…! Deve ser castigo por eu ter feito tanta coisa errada…

Amélia respira fundo e abraça o pai.

__Não fala assim, pai!… Errar é humano. Todo mundo comete erros na vida, ninguém é perfeito.- ela sorri, mas seus olhos estão cheios de lágrimas- Claro que eu tô um pouco chocada… Na verdade, muito chocada. Não esperava isso, não esperava mesmo…! Eu pensava que você só devia saber algum podre do Inácio ou alguma coisa sobre o roubo… Nunca passou pela minha cabeça você ter participado do assalto!

__Não tá com raiva de mim?

__Não, pai. Quem sou eu prá te julgar?… O que você fez no passado não muda o fato de que é meu pai. Na verdade, não muda nada prá mim. Mas eu preciso saber da estória toda, pai. Coisas como: porque a Cléo armou esse roubo, onde as jóias estão, porque motivo os outros hóspedes participaram do roubo… Precisa responder a essas perguntas, pai. Eu sei que há uma outra estória por trás da estória do roubo… Eu sei que o roubo das jóias é só a ponta desse iceberg. Estou errada?

__Não, Amélia. É isso mesmo, filha.- diz Laura- É só uma parte dessa estória suja.

__Laura, por favor!- repreende Marcos- vamos encerrar por aqui, mulher! A nossa participação nessa estória louca só vai até aqui, Amélia. Se quiser saber mais, terá de perguntar pro italiano ou pro Robert.

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