Capítulo 70

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Laura dá um sorrisinho para o homem alto, metido num terno escuro.

__Minha filha é muito distraída, atrapalhada…! Vou ver onde ela pode ter guardado…

Neste momento, o celular de Laura toca e ela atende.

__Oi, mãe.

__Amélia! Onde você está, minha filha?

__Tô ocupada com uma reportagem. Tá tudo bem aí?

__Sim, tá. Ah, tem um rapaz aqui querendo umas coisas tuas…

__Pois é, mãe. É por isso que tô ligando. Ele trabalha no jornal e tá me fazendo um favor. Eu não posso ir até em casa pegar esse cd, pois tô muito ocupada… Você pode entregar prá ele, por favor?

__Claro, filha. Diz onde tá que eu pego.

__Na gaveta da escrivaninha tem um cd. Pede prá ele copiar um arquivo que tá no computador… O nome é “Matéria Nova”. Pode fazer isso prá mim?

__Claro. Mas esse rapaz vai mexer no teu computador…

__Não tem problema, mãe. Ele trabalha comigo no jornal.

Laura dá mais um sorrisinho, um tanto desconfiada do sujeito tão sério e empertigado, diferente dos amigos jornalistas de sua filha. Ela dá as instruções para o homem depois de pegar o cd na escrivaninha. enquanto o sujeito mexe no computador amélia liga de novo.

__E aí, mãe? Ele já copiou o arquivo?

__Ah, tá mexendo no computador agora. Você sabe que eu não entendo nada dessa coisa de computador, filha…!

__Tá, mãe. Não se preocupa, ele sabe mexer. E o papai, cadê?

__Tirando um cochilo no quarto. Quer falar com ele?

__Não, agora não.

   

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Amélia dá um suspiro depois de desligar o celular.

__Tudo certo.

__Ótimo. Espero que cumpra a sua palavra e não apronte nenhuma surpresa, Amélia.- diz Inácio.

__Eu digo o mesmo prá você, “patrão”.

Inácio sorri.

__E você, Ricardo? Já ligou pro seu pai?- a pergunta tem um tom de deboche…

Ricardo não responde, apenas pega o celular e tecla os números do pai.

Depois de algum tempo, Giulio atende.

__Oi, pai. Pode fazer um favor?

__Diga, filho.

__Tem um envelope com umas fotos dentro da minha mochila no quarto escuro… Mandei alguém buscá-las, um empregado da revista Foto… Deve tá chegando aí… Pode entregar o pacote prá ele?

__Claro, filho. Sem problema.

__Tudo bem em casa?

__Tudo. Você vai demorar, Ricardo?

__Talvez um pouco.

__Pode trazer alguma coisa pro lanche? Sua mãe não teve tempo de ir a rua ainda…

__Tá legal, pai. Eu levo sim. Tchau.

Que esquisito. Ricardo não brigou nem nada quando ele disse “sua mãe”…! Muito esquisito. Giulio respira fundo e neste momento, a campainha toca. Um homem muito magro, de cavanhaque e terno preto surge do lado de fora quando ele abre a porta.

__Pois não?

__Vim buscar as fotos.

Giulio dá uma olhada no sujeito. Não parece alguém que trabalhe numa revista de fotografia!… Mas Ricardo disse que era para entregar…

Capítulo 71

O carro diminui a velocidade e estaciona  numa rua praticamente deserta. Inácio tira os óculos e se volta para Ricardo e Amélia.

__Que coisa engraçada… Vocês não parecem filhos de seus pais…! Marcos era um bobo, fraco, sem um pingo de criatividade, de iniciativa… e a filha é tão destemida, segura de si! O Ricardo é um tanto vacilante, não é?  Parece ter mais charme que o pai… No entanto, Giulio é passional, explosivo, quase irracional… São tão diferentes de seus pais!

Ricardo sorri.

__Pois é… As aparências enganam, doutor. Veja o senhor, por exemplo…

__Não têm curiosidade em saber a estória toda, de verdade?- ele pergunta numa interrupção proposital- Não querem saber o que de fato aconteceu naquela época?

__Já sabemos o suficiente.- fala Amélia, tentando não deixar que ele perceba que já sabem de tudo…

__Eles não lhe contaram? Giulio, Marcos?… O autraliano e a bela francesa?

__Não, claro que não. Já sabemos da estória toda, Inácio. Não há mais nada a ser revelado.- fala Ricardo, muito convincente, por sinal.

__Engano seu, meu rapaz. Não conhecem a estória do meu ângulo. Ou seja, a verdade. Mas acho que posso, a essa altura, contar tudo a vocês.

Ricardo e Amélia se olham. Será que há mais? Tudo já nãofoi revelado? Será que Inácio tem algo diferente a dizer?

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