Laura dá um sorrisinho para o homem alto, metido num terno escuro.
__Minha filha é muito distraída, atrapalhada…! Vou ver onde ela pode ter guardado…
Neste momento, o celular de Laura toca e ela atende.
__Oi, mãe.
__Amélia! Onde você está, minha filha?
__Tô ocupada com uma reportagem. Tá tudo bem aí?
__Sim, tá. Ah, tem um rapaz aqui querendo umas coisas tuas…
__Pois é, mãe. É por isso que tô ligando. Ele trabalha no jornal e tá me fazendo um favor. Eu não posso ir até em casa pegar esse cd, pois tô muito ocupada… Você pode entregar prá ele, por favor?
__Claro, filha. Diz onde tá que eu pego.
__Na gaveta da escrivaninha tem um cd. Pede prá ele copiar um arquivo que tá no computador… O nome é “Matéria Nova”. Pode fazer isso prá mim?
__Claro. Mas esse rapaz vai mexer no teu computador…
__Não tem problema, mãe. Ele trabalha comigo no jornal.
Laura dá mais um sorrisinho, um tanto desconfiada do sujeito tão sério e empertigado, diferente dos amigos jornalistas de sua filha. Ela dá as instruções para o homem depois de pegar o cd na escrivaninha. enquanto o sujeito mexe no computador amélia liga de novo.
__E aí, mãe? Ele já copiou o arquivo?
__Ah, tá mexendo no computador agora. Você sabe que eu não entendo nada dessa coisa de computador, filha…!
__Tá, mãe. Não se preocupa, ele sabe mexer. E o papai, cadê?
__Tirando um cochilo no quarto. Quer falar com ele?
__Não, agora não.
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Amélia dá um suspiro depois de desligar o celular.
__Tudo certo.
__Ótimo. Espero que cumpra a sua palavra e não apronte nenhuma surpresa, Amélia.- diz Inácio.
__Eu digo o mesmo prá você, “patrão”.
Inácio sorri.
__E você, Ricardo? Já ligou pro seu pai?- a pergunta tem um tom de deboche…
Ricardo não responde, apenas pega o celular e tecla os números do pai.
Depois de algum tempo, Giulio atende.
__Oi, pai. Pode fazer um favor?
__Diga, filho.
__Tem um envelope com umas fotos dentro da minha mochila no quarto escuro… Mandei alguém buscá-las, um empregado da revista Foto… Deve tá chegando aí… Pode entregar o pacote prá ele?
__Claro, filho. Sem problema.
__Tudo bem em casa?
__Tudo. Você vai demorar, Ricardo?
__Talvez um pouco.
__Pode trazer alguma coisa pro lanche? Sua mãe não teve tempo de ir a rua ainda…
__Tá legal, pai. Eu levo sim. Tchau.
Que esquisito. Ricardo não brigou nem nada quando ele disse “sua mãe”…! Muito esquisito. Giulio respira fundo e neste momento, a campainha toca. Um homem muito magro, de cavanhaque e terno preto surge do lado de fora quando ele abre a porta.
__Pois não?
__Vim buscar as fotos.
Giulio dá uma olhada no sujeito. Não parece alguém que trabalhe numa revista de fotografia!… Mas Ricardo disse que era para entregar…
Capítulo 71
O carro diminui a velocidade e estaciona numa rua praticamente deserta. Inácio tira os óculos e se volta para Ricardo e Amélia.
__Que coisa engraçada… Vocês não parecem filhos de seus pais…! Marcos era um bobo, fraco, sem um pingo de criatividade, de iniciativa… e a filha é tão destemida, segura de si! O Ricardo é um tanto vacilante, não é? Parece ter mais charme que o pai… No entanto, Giulio é passional, explosivo, quase irracional… São tão diferentes de seus pais!
Ricardo sorri.
__Pois é… As aparências enganam, doutor. Veja o senhor, por exemplo…
__Não têm curiosidade em saber a estória toda, de verdade?- ele pergunta numa interrupção proposital- Não querem saber o que de fato aconteceu naquela época?
__Já sabemos o suficiente.- fala Amélia, tentando não deixar que ele perceba que já sabem de tudo…
__Eles não lhe contaram? Giulio, Marcos?… O autraliano e a bela francesa?
__Não, claro que não. Já sabemos da estória toda, Inácio. Não há mais nada a ser revelado.- fala Ricardo, muito convincente, por sinal.
__Engano seu, meu rapaz. Não conhecem a estória do meu ângulo. Ou seja, a verdade. Mas acho que posso, a essa altura, contar tudo a vocês.
Ricardo e Amélia se olham. Será que há mais? Tudo já nãofoi revelado? Será que Inácio tem algo diferente a dizer?
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