skip to main |
skip to sidebar
Rio de Janeiro, 2010.
A redação do jornal Primeira Página fica ali na Presidente Vargas. É onde está o aspirante a repórter Juninho, todo impaciente e saltitante, olhando para o relógio a todo momento.
Ele espera por Alex Neiva, o famoso jornalista do Primeira Página que áliás está super atrasado. Juninho tem notícias fresquinhas para dar ao seu “mestre”!
Finalmente Alex aparece na recepção do jornal, com um sorriso largo no rosto comprido e pálido.
_Então? Como foi, Juninho? Tem novidade prá mim?
_Ótimas novidades, patrão! Ótimas novidades!
_Fala logo! Eu tenho reunião daqui a pouco.
_Tá legal. Mas é melhor você sentar, patrão.
Alex senta no sofazinho muito a contragosto.
_Desembucha, Juninho.
_É aquilo mesmo que o patrão falou…!
_Como assim? Você falou com o dono do hotel?
_Mais ou menos… Eu conversei com um parente dele que me contou uma estória prá lá de maluca sobre o roubo das jóias do hotel…!
_Para de rodeio, Juninho! Fala logo o que descobriu!
_As jóias do hotel foram roubadas e não levadas prá um cofre como disse o dono na época!
Alex sorri triunfante.
_Eu sabia! Tinha certeza disso! E acho que tem a ver com a prisão do gerente do hotel!
_Aí é que tá, patrão! O gerente sabe mais do que disse na época do roubo! Ele mentiu prá polícia a mando do dono do hotel.
Alex levanta do sofá de um salto e dá um tapinha nas costas de Juninho.
_Excelente tabalho, Juninho! Eu não faria melhor!
_Obrigado, patrão.
_Pelo amor de Deus, para de me chamar de patrão!
_Perdão… Eu posso ir agora? Tenho que estudar prá prova de amanhã.
_Tudo bem, pode ir. Valeu pela informação!
Capítulo 2
O que dá para fazer com uma notícia dessas? Quase nada, talvez. É só uma notíciazinha sem importância, que caberia bem na página policial de um jornal de quarta categoria!
Mas como transformar uma reles notícia mofada num furo de reportagem? Isso é um trabalho para o super jornalista Alex Neiva!
Tirar água de pedra é a especialidade dele! Ele sobe as escadas todo animado, caminha rapidamente para a sua sala na redação do jornal, pensando em como vai jogar essa matéria no ar. Ou melhor dizendo, no papel. O problema é que o chefão pode não gostar…
Senta diante do computador e começa a escrever.
“O roubo do século”, ele escreve. Será mesmo que foi o roubo do século? Se não foi, ele vai fazer com que tenha sido. Só precisa de uma dica, um estalo, uma idéia que seja, para transformar essa matéria chinfrin numa super matéria de primeira grandeza!…
_Cafezinho, Alex?
A voz da estagiária tira o jornalista das nuvens. Sorri para ela numa afirmativa.
_Vou trazer já.
_Valeu, querida.
Ela sorri e olha rapidamente para o computador.
_Matéria nova?- pergunta, curiosa.
_Na verdade, matéria velha que vou transformar em nova.
_Ih, caramba! Não entendi nada!
_Pois é. Nem eu. Mas logo vai ficar legal. O cafezinho ajuda a clarear as idéias…!
_Já tô trazendo!- ela sai da sala.
_Ah, você é a estagiária perfeita, Amélia!- ele grita.
Minutos depois, ela entra com uma xícara fumegante de café e coloca sobre a mesa dele.
_Valeu, querida. Ah, quem sabe você não pode ajudar?…
_Eu? Ajudar na tua matéria?
_É. Senta aí. Acho que vai poder ajudar sim, Amélia.
Ela senta ao lado dele, toda intrigada com aquele gesto súbito de generosidade de Alex…
_Como?
_Tô precisando de alguém com garra, astúcia, inteligência e iniciativa prá levantar umas informações prá mim…
_Ué, cadê seu informante?
_Tô falando de talento, de faro jornalístico, Amélia! O Juninho é muito prestativo, mas não tem dom prá coisa!
_Sei… E onde eu entro nisso?
_Tô fazendo uma matéria sobre um roubo de jóias que aconteceu há trinta e tantos anos… Vou precisar de alguém de talento e garra prá conseguir essa matéria prá mim. Acho que você pode fazer isso.
Capítulo 3
Amélia respira fundo e pensa que quando a esmola é grande o santo desconfia. Do nada, Alex Neiva dignou-se a lhe oferecer trabalho na redação! Isso não acontece todo dia e nem com todo mundo!
_Essa vai ser pedreira, Alex…!- ela comenta.
_Então aceita?
_Claro. Manda ver!
_Sabia que podia contar contigo, querida!
_Qual é o lance afinal?
_Jóias roubadas de um hotel famoso. Há trinta anos. Na época, o dono do hotel disse que as jóias foram levadas para um cofre por medida de segurança.- ele explica resumidamente como é seu estilo - Só que isso não é verdade. As jóias foram roubadas.
_E você quer que eu descubra exatamente o quê?
_Querida, as jóias foram roubadas, mas não houve registro policial de roubo. Quero provar que esse roubo aconteceu e que o dono do hotel tá escondendo alguma coisa podre por conta disso!
_Ih, isso tá complicado, hein! Um roubo que não é roubo…! E que aconteceu na pré estória, me poupe, Alex!- ela levanta e pega a xícara vazia caminhando para a porta – Não vai rolar mesmo! O todo-poderoso vai achar que você inventou essa matéria!
Alex dá uma risada.
_Não é que parece mesmo estória inventada?! Mas olha: isso aconteceu mesmo. E eu quero saber toda a verdade. Vai entrar nessa comigo?
Amélia encolhe os ombros e faz uma careta.
_Tá legal, eu vou. Mas te digo logo que não levo a menor fé nisso.
_Tudo bem, eu também não acredito muito nessa loucura. Mas vou transformar esse deserto em vale florido!
_E por onde eu começo?- Amélia já está praticamente do lado de fora da sala.
_Pelo início, é claro! O hotel onde tudo aconteceu, Amélia.
0 comentários:
Postar um comentário