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O tal hotel de que falou Alex é o Tropicali. Já foi muito famoso, recebeu artistas, políticos e milionários do mundo todo… E entrou em decadência por causa do misterioso roubo das jóias dos hóspedes nos anos 70.
O dono jurou de pés juntos que nunca houve roubo, que as jóias foram levadas para um cofre de um banco por medida de segurança… Bem, essa estória todo mundo sabe. Amélia precisa descobrir a estória por trás da estória, a verdade que nunca foi revelada. Tarefa difícil, quase impossível!… Mas tudo bem, ela vai correr atrás.
Pensa em como vai fazer para arrancar alguma coisa do dono do Tropicali enquanto chacoalha no ônibus de volta para casa. Está um calor infernal no Rio e o ônibus lotado parece uma sauna com rodas… Mesmo assim ela consegue pensar com alguma clareza, completamente desligada do amasso do ônibus, do calor insuportável, do engarrafamento monstruoso…
Amanhã cedinho vai até o Tropicali sondar um pouco, tentar saber se o dono aparece por lá e tal… Para quem só ficava com as matérias chinfrins, as notinhas na página de fofocas, essa matéria é um presente! Incrível que o Alex tenha escolhido justo ela para fazer essa pesquisa!…
Amélia está contente porque ama essa profissão, é o que sempre quis ser desde criança. Ainda não se formou, mas falta muito pouco. O estágio no Primeira Página foi mesmo muita sorte! Um colega ficou gravemente doente e não pode fazer o estágio no jornal… Quando ele ligou dizendo que teria de trancar a faculdade por causa da doença e que estavam precisando de estagiário no Primeira Página, Amélia aceitou na hora.
E agora ela está com sua primeira reportagem em andamento! Claro, menos: a reportagem é de Alex Neiva, não sua. Mas quem vai batalhar pela matéria é ela, oras! O negócio é saber como…
Capítulo 5
Depois de tomar um banho e comer alguma coisa, Amélia senta diante do computador e começa a escrever. Está com a cabeça fervilhando, não sai muita coisa que preste… Decide fazer um roteiro das suas investigações.
__Ainda tá trabalhando, filha?- pergunta Laura entrando no quarto.
_Pois é, mãe. Tenho uma matéria prá desencavar e até agora não consegui pensar em nada que preste!
_Uma matéria, filha?! Que bom! E é sobre o quê?
_Um roubo que aconteceu há uns trinta e poucos anos… Vê se eu posso com isso!
_Roubo, Amélia? Isso não é perigoso, não?
_Mãe, o roubo foi há trinta anos! Já passou!
_Sei lá, essa coisa de crime, de roubo… Essa profissão é muito perigosa, Amélia! Não podia ser professora, minha filha?…
Amélia dá uma risada.
_Mais perigosa do que ser professora? Impossível, mãe!
_Tô falando sério, Amélia! Olha só, vai se meter com bandido, com assaltante…!
_Que bandido, mãe? Não tem bandido nenhum nessa matéria!
_Não?
_Não. Ainda não. Eu tenho que ir até o Tropicali amanhã prá sondar um pouco.
_Tropicali?… O hotel?
_Isso mesmo, dona Laura! Que memória, hein!
_Bom, eu vou dormir.- Laura fica nervosa de repente…- Amanhã a gente conversa mais, filha. Boa noite.
_Tá legal. Boa noite.
Estranha a reação de Laura. Geralmente ela faz mil perguntas, cheia de entusiasmo, dá palpite e tudo… E agora nem deu atenção, não fez pergunta, nem nada…! Muito estranho o nervosismo dela. Ou será piração da cabeça de Amélia?
Melhor trabalhar e deixar essa questão para lá. Cadê que consegue? Os olhos estão pesados de sono!
_Quer saber? Eu vou dormir! Penso nisso amanhã!- diz, levantando da mesinha e se jogando na cama.
Dessa vez, ela não sonha que ganhou o Pulitzer… Mas sim que levou uma bronca daquelas do todo-poderoso do Primeira Página! Que pesadelo!…
Capítulo 6
Amélia engole o café ao mesmo tempo em que arruma os papéis na mochila. Está ultra atrasada! Não dormiu nada bem essa noite, teve mil pesadêlos…! Precisa estar em São Conrado antes das nove, mas tudo indica que não chegará a tempo…
_Calma, filha! Assim vai engasgar, Amélia!- diz Marcos dobrando o jornal e sentando num banquinho perto da porta da área- Prá quê essa pressa toda, menina?
_Trabalho, seu Marcos! Tenho trabalho a minha espera!
_Tua mãe falou qualquer coisa… Que matéria é essa que vai fazer pro jornal?- ele parece interessado.
_Uma estória complicada, de um roubo que não houve e tal… Eu tô indo pro Tropicali falar com o dono sobre o caso das jóias roubadas.- ela come uma fatia de pão- Você lembra dessa estória, pai?
Marcos encolhe os ombros e faz um muxoxo.
_Médio. Faz muito tempo, né? Acho que ninguém mais lembra disso, Amélia…! Prá quê fazer uma reportagem sobre uma coisa que ninguém lembra?
_Sei lá! Isso é coisa do Alex, a matéria é dele. Eu só vou investigar, dar uma “fuçada” no passado, sabe?
_Acho que não vai dar em nada, filha. Essa matéria não vai dar certo.
_Credo, pai! Vai dar certo sim! É a minha chance no jornal, caramba! Se eu fizer o trabalho direito, quem sabe o chefão se interessa?…
_Bobagem! Você é boa demais prá esse tipo de reportagem, Amélia! Isso é muito porcaria prá você, minha filha!
_Eu acho que a matéria é fraca, mas pode ficar forte. É uma questão de investigar direito, ouvir as pessoas certas, incrementar a redação…! Agora eu vou mesmo!- ela beija o pai- Tchau, pai! Me deseje sorte!
_Vai com Deus, filha!
O homem com quem precisa falar chama-se Vítor Alvarez. Ele é o dono do Tropicali e apesar do hotel não ter mais o antigo glamour, ainda existe uma aura de sofisticação nele.
Amélia entra na recepção do hotel e diz que tem uma entrevista com Vítor.
_Eu trabalho para uma revista de turismo de São Paulo e estou fazendo uma reportagem especial sobre os hotéis mais tradicionais do Rio…
_O dr. Vítor ainda não chegou.- fala a recepcionista- Mas vou avisar a secretária dele que a senhorita está aqui.
_Obrigada.- ela sorri com toda a segurança do mundo…
Depois de alguns instantes falando ao telefone, a recepcionista sorri e diz:
_Seu nome, por favor?
_Andréa Ramos.
_Pode mostrar sua identificação, senhorita?
_Claro.- e ela mostra um crachá da imprensa na maior cara de pau…
A recepcionista volta a falar ao telefone e mais uma vez sorrindo fala:
_A senhorita pode subir e aguardar. O escritório do dr. Vítor fica no terceiro andar.
_Obrigada.
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