Capítulo 18

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dessa vez não deu mesmo. Amélia bem que tentou falar com Marshall de novo, mas o homem simplesmente sumiu na poeira… A única informação que ela teve foi que “ o dr. Robert saiu em férias com a família”. Tudo bem, ela espera que ele volte das “férias”.

Entrou na internet e procurou por Giulio Cesare Messina. Legal, existem milhares de Giulio Cesare Messina na Itália…! Ela tem uns contatos aqui e ali, que passam informações quando precisa. E decididamente, o tal Messina que procura ou morreu ou não vive mais na Itália…

A francesa Simone Dubois também parece ter ficado invisível. Amélia descobriu que a mulher voltou ao Brasil coisa de uns dois ou três anos depois do roubo no Tropicali. E por aqui ficou. Mas ela não conseguiu localizar Simone até agora.

Uma semana já se passou desde que ela começou com essa saga jornalística e até agora nada tem de concreto. Neste exato momento, Amélia tenta atravessar a rua para chegar à redação do Primeira Página. Mas o trânsito está simplesmente insuportável hoje, o céu muito nublado, ameaçando chover a qualquer momento… Combina com o estresse dela! Dormiu mal a semana inteira e só no domingo conseguiu relaxar e fingir que é uma mulher normal que não tem uma espada sobre sua cabeça prestes a decepá-la…

E hoje, segunda-feira, ela precisa mostrar alguma coisa “sólida” a Alex Neiva…! Mas o quê, se não tem nada?…

Está assim, parada no meio-fio, olhando de um lado para o outro, querendo atravessar, os nervos à flor da pele… De repente, ela vê o todo poderoso Inácio Toledo do outro lado da rua quase em frente ao jornal. Nossa, mas o que o chefão está fazendo tão cedo no Primeira Página?… É o que ela se pergunta, de testa franzida. Então um homem baixo e de cabelos cacheados e grisalhos se aproxima de Inácio. Os dois parecem discutir. Andam rapidamente na direção do estacionamento do jornal.

Amélia acha a cena estranha, já que Inácio não costuma vir ao jornal a essa hora da manhã. Muito menos segunda-feira. Olha para a direita só para dar um confere no trânsito… E não é que ela vê alguém fotografando o Inácio?… Sim, porque em meio ao caos que está o Centro da cidade agora, só pode estar fotografando aqueles dois…!

Inácio e o homem entram no estacionamento ainda discutindo. E o tal fotográfo passa por entre os carros correndo, atravessa a rua  e entra no estacionamento também.

__”Ah, eu sabia! Esse cara tá aprontando alguma!”- ela pensa- “Eu tenho que ver isso de perto!”

E vai mesmo. Amélia passa por entre os carros não tão habilmente como o sujeito das fotos, mas consegue chegar do outro lado da rua sem um arranhão. Estava certo o seu pensamento: o cara está mesmo tirando fotos do Inácio Toledo…!

Os dois homens discutem violentamente, Inácio até grita. Estão parados perto do carro de Inácio e o tal fotógrafo acoitado atrás de uma pilastra a uma boa distância deles… Amélia, por sua vez, está lá no começo do estacionamento e certamente não pode ser vista por nenhum deles. Bem, isso é o que ela acha.

Depois de alguns minutos que parecem séculos para ela, Inácio e o sujeito do cabelo cacheado se separam. O jornalista entra em seu carro importado e o homem misterioso vai para o outro lado do estacionamento onde entra num Fusca vermelho.

O que será que está acontecendo? Amélia observa o fotógrafo se esgueirando por entre as colunas  e os carros, clicando cada movimento de Inácio e do homem misterioso… Ela vai se aproximando devagar, quer ver esse cara de perto, saber qual é a dele.

E de repente, ele se vira e quase cai em cima dela…

__Ei, qual é a tua, cara?!?

__Qual é a tua digo eu! Tá me seguindo por quê?

Amélia dá uma risadinha.

__Se tem alguém seguindo aqui é você, não eu…! Eu vi tudo. Vi você tirando fotos do Inácio Toledo.

__E daí? Isso é crime por acaso?

__Numa atitude muito suspeita.

__Ah, você é da polícia…!

__Não adianta, eu vi! Fotografou o Inácio e o homem o tempo todo!

Ele cruza os braços encarando Amélia. Agora, só agora ela repara no sujeito: muito alto, muito forte, cabelos castanhos, olhos pequenos… Bem bonitinho.

__Você é o quê dele? Segurança, babá, amante…?!

__Funcionária do jornal.- ela e se arrepende na mesma hora…

Ele ri, um riso de puro deboche. Mas ainda assim um lindo sorriso…

__Jornalista. Acertei?

__Não, errou. E você? É fotógrafo, suponho.

__Fotógrafo de arte. Faço fotos prá uma… Não tenho que dar explicação prá uma estranha.- ele anda rápido, guardando a câmera dentro de uma mochila surrada.

__Posso chamar os seguranças.

__Ótimo! Pode chamar! Aproveito prá tirar umas fotos deles também!

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