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Oscar coça a cabeça, fica uns segundos em silêncio, pensativo.
__De três estrangeiros eu lembro muito bem… A francesa Simone Dubois, o italiano Giulio Cesare Messina e o australiano Robert Marshall. Os outros, sinceramente, fogem da memória… Mas esses três eu tenho certeza porque eles fizeram pressão prá que os outros colocassem as jóias no cofre do banco.
Amélia dá um sorrisinho. Ah, o Marshall, claro!… Ela sabia que o australiano estava envolvido nessa estória! Nervoso e incomodado como ele ficou quando Amélia mencionou o roubo, só pode estar envolvido até o último fio de cabelo nesse mistério!
Sim, porque para ela essa matéria está virando um mistério indecifrável! O que deveria ser apenas uma materiazinha sobre um suposto roubo nos anos 70, está se transformando num verdadeiro caso policial…!
__Tudo bem, seu Oscar.- ela diz- Não tem problema. Vou tentar entrar em contato com essas pessoas. Quem sabe eu não consigo mais detalhes sobre o tal roubo?- Amélia levanta guardando o bloquinho na bolsa.
Oscar segura o braço dela e fala:
__Tinha brasileiro também. É, um casal. Acho que eles eram um casal, sim… Pelo menos pareciam namorados…- ele levanta também sem soltar o braço dela- Uma moça muito bonita, morena, faceira como ela só…! Lembro agora muito bem!- dá um sorriso- Ela era do tipo que chama atenção, entende? Chamava-se … Como era mesmo o nome daquela rainha do Egito?…
__Cleópatra.
__Isso! O nome dela era Cleópatra. Se é que era o nome verdadeiro daquela ladina…!
__E o namorado dela?
__Ele vivia atrás dela, como um cachorrinho treinado! Às vezes parecia um cão de guarda, fica bravo, falava alto e xingava… Mas era mesmo um cachorrinho ensinado!…
__O nome dele…?
__Eu… Eu não consigo lembrar. Sei lá, a moça era atraente, tinha um jeito que se destacava… Ficou na memória, sabe?… Mas o rapaz, eu não lembro o nome não. Ah, ela vivia prá cima e prá baixo com o italiano também.
__Eles voltaram prá Europa depois dessa confusão toda, seu Oscar? Sei que o Robert Marshall foi embora e voltou alguns anos depois…
Oscar dá de ombros e faz uma careta. Engraçado é que ele continua segurando o braço dela enquanto caminham pelo refeitório, como se fossem velhos amigos…
__O australiano? Bem, esse voltou mesmo. E se deu bem! Virou empresário, tá cheio da grana! Mas os outros eu não sei. Só sei que depois que a poeira baixou o Tropicali nunca mais foi o mesmo… Perdeu um pouco do prestígio e da confiança que as pessoas tinham nele!…
__Foi ótimo conversar com o senhor, seu Oscar.- ela sorri toda meiga- O senhor ajudou bastante.
__Que bom, menina. Meu nome vai aparecer na revista, vai?
__Com certeza! Com todo o destaque que o senhor merece!
Ele dá um sorriso iluminado e beija a mão de Amélia.
__Obrigado, minha filha. E eu que nem gosto de falar muito… Menos ainda sobre o passado…! Vai com Deus. Boa sorte!
Capítulo 17
Bem, por hoje é só! Amélia se joga na cama assim que chega em casa. Está arrasada de tanto cansaço! Mas apesar de sua via crucis o dia foi proveitoso. Algumas peças já começam a parecer nesse jogo. O tal Robert Marshall ela já sabe que é duro na queda, não vai ser tão fácil falar com ele de novo…
A francesa, o italiano e a brasileira são outras peças escondidas que ela precisa encontrar. Amanhã entrará na internet e procurará por eles. Tomara consiga encontrar alguma pista…!
__Tá dormindo, filha?- pergunta Laura entrando no quarto.
__Não, mãe. Tô tão cansada que não consigo dormir!
__Muito trabalho?
__Muito! Mas acho que vou dar conta. Esse roubo no Tropicali tá cheirando muito mal…!
__Como assim?
__Tem coisa grando por trás disso, mãe! Eu sinto que tem!
__Coisa grande…? Que tipo de coisa, Amélia?
Ela senta na cama.
__Não foi só um roubo de jóias, mãe. Tem mais caroço nesse angú! Sei lá, parece que o roubo serviu de fachada prá encobrir outra coisa…
__Meu Deus, que imaginação!
__Não é imaginação, mãe. É faro de jornalista. É intuição feminina.
Laura se remexe, esfrega as mãos, muito agitada.
__Profissão esquisita essa, hein! Ficar fuçando os particulares dos outros…! Você podia ser secretária, professora, médica, advogada… Mas jornalista?!? Não tem nada a ver com a nossa família, Amélia!
__Pelo amor de Deus, mãe! Essa ladainha outra vez?! Caramba, queria que eu fosse porteiro de prédio como o papai?… Dá um tempo com esa maluquice, por favor?…
__Acho muito perigoso ficar se metendo onde não é chamada, Amélia!- ela levanta da cama e anda pelo quarto feito um animal enjaulado- O que a gente vê na televisão que acontece com esses jornalistas…! Vai acabar se dando mal por causa disso, minha filha! Porque não faz essas coisas de fofoca dos artistas, culinária, moda…? Hein? Porque não trabalha com coisa mais tranquila, menos perigosa, Amélia?
Amélia percebe a aflição de Laura. E não é coisa de mãe não. Laura está com medo mesmo, de verdade! E não é por causa da profissão de Amélia… Tem alguma coisa no ar…
__Tá falando assim porquê? Qual o motivo desse descontrole todo, dona Laura? Eu já fiz matérias bem mais “perigosas” do que essa! E vocês nem ligaram! Agora estão cheios de dedos, morrendo de medo sabe-se lá do quê! Qual é o problema, mãe?
__Problema nenhum. A gente se preocupa, só isso. Mãe é assim mesmo, quer proteger os filhos…- ela sorri forçado- Bom, eu vou terminar de lavar a louça do jantar e depois vou dormir. Boa noite, filha.
__Boa noite, mãe.
Não convenceu. Mas agora, nesse momento, Amélia está cansada demais para pensar em desvendar mais esse mistério… Amanhã, quem sabe?
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