Capítulo 10

terça-feira, 13 de março de 2012

Condomínio de luxo em Angra. São muitos! É como procurar uma agulha no palheiro! Em qual desses condomínios estará Robert Marshall? Amélia nem sabe por onde começar… Pensar, pensar…! Precisa inventar alguma coisa, uma boa estória para entrar nesses condomínios… Tudo bem, ela tem o crachá da imprensa. Mas talvez não seja o momento certo de usá-lo… Precisa de outro recurso, algo mais sutil, mais ligth…! Mas o quê, santo Deus?! De repente, uma idéia passa por sua mente como uma flecha em chamas…

_Eu não preciso mentir, inventar nada!- ela exclama enquanto anda pelas ruas de Angra como uma barata tonta- Eu só preciso dizer a verdade, caramba!

Amélia dá uma ajeitada nos cabelos, se empertiga e caminha mais devagar e confiante. Estava fazendo uma tempestade num copo d’água! É tudo muito simples e bem mais fácil do que pensava…! Um condomínio enorme surge diante dela, bem na orla. Que seja este o primeiro!

Ensaia seu melhor sorriso e se aproxima da guarita do condomínio. O guarda franze a testa e se empertiga, como impondo respeito._Bom dia!- ela diz, num tom meloso- Eu trabalho para o Primeira Página e estou fazendo uma matéria sobre os grandes empresários estrangeiros no Brasil… Pode avisar o dr. Robert Marshall que uma repórter do Primeira Página quer entrevistá-lo?

_Não tem nenhum Robert Marshall no condomínio, moça.- responde o guarda.

_Soube que ele tem casa aqui…

_Não aqui, moça. Talvez no outro, lá perto da orla… Posso ver sua identificação?

_Claro.- melhor ser sincera do que inventar estórias e depois se dar mal…!

_Ok. Você pode tentar no outro condomínio. Bom dia.- parece que ele não gosta de jornalistas…

O outro condomínio é um pouco mais simples, sem aquela coisa faraônica que normalmente os milionários gostam. E Amélia segue confiante ( até demais…! ) para a guarita onde dois seguranças que mais parecem dois armários conversam animadamente.

Capítulo 11

Amélia dá um sorriso “daqueles” para os homens antes de mostrar seu crachá da imprensa.

_Olá, senhores!- mostra mais uma vez o crachá- Podem avisar o dr. Robert Marshall que Andréa Ramos já chegou prá entrevista?…

_Entrevista, é? Ele não avisou nada sobre isso…

Ah, acertou na mosca! Então o Marshall está neste condomínio! Claro, foi um golpe de sorte. Se não tivesse encontrado logo “de prima”, Amélia teria de procurar em outro e outro e outro…

_Não? Bem, você pode falar com ele agora, por favor? A entrevista está marcada para as seis da tarde, então…

Muito a contragosto, o segurança fala pelo interfone. O outro, por sua vez, fica olhando para Amélia com desconfiança. Ela finge não se intimidar com a carranca do homem, mexendo no crachá de vez em quando só para dar uma moral…

_Tranquilo, moça.- o segurança se volta para ela e aciona a abertura do portão- O dr. Robert tá esperando na piscina do condomínio. É só virar à esquerda e descer as escadas.

_Obrigada, amigo. Bom trabalho prá vocês!- ela sorri e entra rápido antes que eles percebam a sua mentirinha…

Falar com o Marshall na piscina do condomínio é tortura! O calor de matar que está fazendo convida a um mergulho… Mas trabalho é trabalho. Ela vai sobreviver sem um mergulho refrescante nesta maravilhosa piscina em Angra…!

Pergunta a um empregado que serve bebidas quem é Robert Marshall. O rapazinho aponta para um sujeito muito branco, besuntado de protetor solar até a alma, sentado numa espreguçadeira e com uma bermuda estampada… Que figura! Amélia caminha até ele e sorri. Robert é magro, tem cabelos muito loiros e olhos pequenos e azuis. E a bermuda ridícula tem estampa de canguru…!

_Dr. Robert? Sou Andréa Ramos, da revista Guia do Turismo. Estou fazendo uma matéria sobre os grandes empresários estrangeiros no Brasil… Podemos conversar?

Ele franze a testa.

_Como me achou aqui, mocinha?- um sotaque exagerado de australiano numa voz esganiçada…

_Bem, na verdade eu recebi alguns nomes de empresários e investidores estrangeiros que se fixaram no Brasil… O seu nome era o segundo, dr. Robert.

Agora ele abre um sorriso e faz um gesto meio teatral que Amélia não consegue entender… Então pede que sente na outra espreguiçadeira.

_Sendo assim… Vamos a entrevista! Embora eu não tenha sido comunicado sobre isso por ninguém da sua revista!…

_Não foi avisado?! Meu Deus, mas que incompetência! Isso é constrangedor, dr. Robert.

_Tudo bem. Quer saber exatamente o quê, moça?

_De quando veio para o Brasil.- ela tira seu bloquinho da bolsa- Da época em que se hospedou no Tropicali, antes de começar seu império…

Robert dá uma risada.

_Como sabe disso? Como sabe que fiquei no Tropicali?

_Sou jornalista, tenho minhas fontes. Então o senhor veio como um simples turista pro Brasil e acabou se encantando?…

_Ah, sim. Sim, sim, eu me encantei por este país! Principalmente por esta cidade!

_Mas foi numa época difícil da nossa estória, não? Com a ditadura e tudo mais… Como foi ser turista naqueles tempos?- ela faz umas perguntas sem importância antes de entrar no que realmente interessa…

_Complicado. Muito complicado! Mas felizmente eu tive sorte. Quando voltei prá Austrália tinha planos de retornar ao Brasil… Em definitivo.

_Ficou no Tropicali uma longa temporada… Deve lembrar do roubo das jóias no hotel.- Amélia pergunta.

O rosto de Robert se contrai, ele está nervoso. Põe os óculos escuros e pega o celular.

_Roubo? Que roubo? Isso não tem nada a ver com a entrevista…!

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